O uso crescente de canetas emagrecedoras está alterando o comportamento de consumo dos brasileiros e criando oportunidades para o agronegócio nacional. Levantamento do sistema FAEP (Federação da Agricultura do Paraná) mostra que os medicamentos reduzem o apetite e o consumo de alimentos ultraprocessados, ao mesmo tempo em que aumentam a procura por fontes de proteína de qualidade.
A pesquisa, conduzida pela empresa de benefícios corporativos Pluxee com 1.200 usuários dos medicamentos, identificou mudanças relevantes de comportamento: 84% dos entrevistados relataram redução no consumo de alimentos industrializados, 83% diminuíram a ingestão de ultraprocessados e 57% passaram a priorizar fontes de proteína na dieta. Para a endocrinologista Bruna Cavalheiro, o efeito das canetas vai além do apetite: segundo ela, o desejo por ultraprocessados “diminui de forma significativa” após o início do tratamento.
O movimento já repercute em diferentes cadeias produtivas. No setor de laticínios, o soro de leite — antes um subproduto de baixo valor da fabricação de queijo — triplicou de preço em dois anos, segundo o produtor Roger van der Vinne, que vê a mudança como sinal de amadurecimento do mercado. Na pecuária, o produtor Rodolpho Botelho aponta que sistemas de criação a pasto ganham espaço por oferecerem carne de qualidade comparável à de animais confinados, com potencial de valorização em mercados mais exigentes.
Na avicultura, o produtor Marcos Junges afirma que o setor já vinha se preparando havia tempo, com produtos como ovos enriquecidos com ômega-3 e linhas de frango livre de antibióticos. Já na produção de grãos, o produtor Ivo Arnt relata aumento na demanda por aveia e proteína de soja, tendência que, segundo ele, ainda não aparece nas estatísticas oficiais, mas já é percebida no consumo — especialmente entre consumidores mais jovens, que associam a aveia a barras proteicas em vez de dietas voltadas a idosos.
Com informações de CNN Brasil.





