A inteligência artificial se tornou um dos principais fatores por trás da sofisticação do crime cibernético no Brasil, segundo Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike para a América do Sul. Em entrevista, o executivo afirmou que a combinação entre acesso facilitado a ferramentas de alto valor, informações globais disponíveis on-line e conhecimento local sobre empresas e infraestrutura “virou a tempestade perfeita” para a criminalidade digital no país.
De acordo com Propheta, a IA reduziu a barreira técnica necessária para realizar ataques antes restritos a grupos altamente especializados, permitindo que criminosos sem formação avançada consigam executar ofensivas antes só viáveis para agentes com apoio estatal. A tecnologia também tem acelerado etapas como o mapeamento de vulnerabilidades e a criação de campanhas de phishing mais convincentes.
O executivo citou dados da própria CrowdStrike segundo os quais o Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países mais visados por ataques cibernéticos direcionados. A empresa também identificou que 88% das falhas de segurança com códigos de exploração já divulgados publicamente são utilizadas por criminosos em até 48 horas, um intervalo que antes chegava a se estender por semanas ou meses.
O setor financeiro aparece entre os mais visados, ocupando a quarta posição no ranking setorial global, com um aumento de 43% nos ataques conduzidos por operadores humanos em 2025 na comparação com os dois anos anteriores somados. Segundo a CrowdStrike, o tempo médio para um invasor se movimentar dentro de uma rede comprometida caiu para 29 minutos, com o caso mais rápido registrado em apenas 27 segundos.
Com informações de Estadão.






